quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A Carochinha vai nascer : o parto

Ao fim de quase 41 semanas eu estava desejosa de ver a minha menina e de me livrar de todos os incómodos da gravidez.
Como a piolha não se decidia, na consulta do hospital informaram-me que teria de ser induzida. Ficou combinado que regressaria ao fim de jantar para me internarem e iniciar a indução logo pela manhã.
Assim que saí informei solenemente ao meu marido que necessitava de um hamburguer daqueles daquela cadeia bemmmmm saudável! Como não se recusa nada a uma grávida à beira de um ataque de nervos, lá fomos.
Passei a tarde a preparar tudo, ver os últimos detalhes, repetir indicações ao marido sobre as necessidades do nosso filho mais velho (porque as mães tem aquela noção exagerada de que o mundo para sem elas) e a colar stickers no quartinho da bebé, e do mano, porque é partilhado.
Chegada a hora dirigi-me ao hospital, preenchi todos os questionários necessários e fui levada ao meu quartinho. Ótimas condições, digno de hotel. Nessa noite inseriram-me um catéter, deram-me indicações sobre o que viria no dia seguinte e pronto, dormir! Dormir o caneco, quem dorme sabendo que tudo vai mudar a seguir? Foi uma noite imensa!
Pela manhã bem cedo vieram ter comigo, dar indicações, tomei duche e iniciámos a indução, comprimido vaginal e esperar.
As contrações já se faziam sentir desde o momento do internamento na véspera, mas evolução nada. 
Passei o dia às voltinhas no quarto, não saí porque estava quase sempre presa ao CTG, o meu marido passou o tempo possível comigo, foi buscar o filho à escola, regressou, e às 20h partiu como era obrigado deixando-me em prantos porque sozinha tudo era mais difícil. Já tinha imensas contrações e dores mas nada de dilatação, não houve ajudinhas nem analgesias, só imensos toques, concursos de quem provocava o quê.
Cerca das 20:30 regressam, desta vez a obstetra, diz que se ela e o colega que me fez o toque anterior não conseguiam provocar, ninguém conseguia, fez novo todo extremamente doloroso, mandou colocar meio comprimido em vez de 1/4 e foi embora despedindo-se e dizendo para gozar a última noite de paz uma vez que estava muito atrasada e o bloco estava uma confusão.
Fiquei entregue às dores e ao sangramento até que entrou outro turno e uma enfermeira que me ouviu, fez novo toque e percebeu que estava a evoluir muito rápido, de 2 a 8 dedos de dilatação em 1 hora.
Disse que não podia dar-me nada ali mas ia insistir porque eu tinha de ir para o bloco. Ao fim de uns quantos telefonemas oiço-a gritar que ou arranjavam bloco ou o parto seria mesmo no quarto. Descemos a correr de cadeira de rodas e eu dizia que "queria desligar" e ia ficando apática, a enfermeira e auxiliar foram uns amores sempre a falar e fazer-me rir, a puxar por mim e manter-me deste lado enquanto procuravam onde me meter. 
Eu estava completamente aflita de dor, uma dor como nunca senti e também não tive anestesias no primeiro parto. Depois vim a saber que se devia ao bebé estar em posição posterior e a fazer pressão nas costas em vez de querer sair.
Gritei, gritei imenso, só gritar aliviava. 
Assim que entro no bloco a enfermeira especialista olha para mim e diz "Está a gritar porquê? Está a ser induzida desde manhã, havia de ser 3 dias como eu para ver". Pronto, começámos bem, continuei a gritar mas entrei em pânico, deixei de controlar os movimentos e de me concentrar no que diziam. Efetivamente tudo o que precisava naquele momento era um sermão.
Arranquei o catéter no meio do pânico e apesar de a anestesista e a obstetra terem sido chamadas não havia como me espetar uma agulha naquele momento.
O papá foi chamado pois aquela hora não podia lá estar, apesar disso a bebé nasceu em 10 minutinhos e ele já só chegou a tempo de cortar o cordão. Foram os piores 10 minutos da minha vida, não deu para nada, nem para episiotomia pelo que houve várias lacerações.
De todos os que amei naquele hospital, havia de encontrar uma besta no meu parto. Não foi nada do que imaginei, nem do que me "venderam" quando fui à visita à maternidade.
A Carolina nasceu linda linda às 1:55 e tudo me pareceu melhor! Por volta das 5 vieram vê-la e ao despi-la para lhe trocarem a fralda eu olho (não me podia levantar ainda) e vejo o pézinho completamente de lado. Perguntei " A minha menina tem um problema no pézinho?", respondem que sim mas não diziam nada porque queriam ver se havia algo em relatório ( ????!!!!!), estavam a defender-se em vez de falar comigo como um ser humano, uma mãe preocupada e assustada.
Chamaram uma fisioterapeuta que me explicou que se devia à posição que ela adquiriu no útero mas que tudo voltaria ao normal porque tinha mobilidade. Suspirei de alívio. A condição chama-se calcaneo valgus e é bastante comum.
Neste momento eu já só pensava em fugir daquele hospital com a minha filha!
Fiquei internada no bloco 12 horas no escuro e com enorme barulho porque não havia quartos de internamento disponíveis. Nem eu nem a minha filha tínhamos nada nosso e ninguém nos orientava ou respondia quando chamava.
Finalmente subi e tive um quarto só para mim. Ficámos internadas 3 dias porque a Carolina apresentou icterícia que entretanto regrediu sem tratamento (bebés à janela mães, bebés à janela!!) e no ultimo dia a minha tensão estava tão disparatada que já não me queriam deixar sair a mim.
Uma aventura, com altos e baixos mas um final feliz!
A minha bolachinha acabada de nascer : 


Carochinha : nasce um novo blog

Neste blog vou falar abertamente sobre esta nova fase da minha vida. 
Aos 33 anos, com um filho de 10 anos, fui novamente mãe há menos de 2 meses.
Uma nova aventura, uma nova viagem, novas certezas e novos medos.
Este será um espaço de partilha desta nova experiência de maternidade, do que aprendi com o primeiro filho e estou a aprender com a Carochinha C.
Vou partilhar dúvidas, pedir opiniões também por isso conto convosco!
Sintam-se à vontade, a casa é vossa (só não desarrumem que neste momento o tempo é escasso )




A nossa gravidez de risco

Como vos contei anteriormente a minha gravidez foi considerada de risco por ser doente bipolar e medicada à data da gravidez. 
Contra todas as recomendações larguei toda a medicação assim que a risquinha apareceu no teste. Não quis medicação de substituição pelo mesmo motivo: eu já estava ansiosa e com medo das sequelas no bebé, não podia sequer viver com a sensação de diariamente tomar algo que pudesse fazer mal à minha filhota.
E assim foi: nove meses muito vigiados, seguida de 15 em 15 dias no Hospital de Cascais onde o pessoal me tratou muito muito bem e ao mesmo tempo seguida no Centro de Saúde- USF da Natividade onde eu e a minha bebé encontrámos desde o início uma segunda família.
Fiz todos os exames do protocolo, sosseguei um pouco quando o rastreio bioquímico não apresentou indicadores preocupantes e tentei ver o lado positivo. Se consegui? Não.
De facto toda a ansiedade e consciência dos riscos que tinha desde o início tiveram um aspecto perverso: preparei-me tanto para perder o meu bebé que não ousei apegar-me a ele. Devido a isso quando chegou a fase mais calma e com mais certezas da gravidez eu continuava a pensar que algo iria correr mal, foi angustiante e tive medo de não me ligar à bebé quando nascesse. Mas mamãs que estejam a passar o mesmo: não se culpem. Quando a Carochinha nasceu fui logo inundada de amor por ela coisa que por exemplo me levou mais tempo na 1ª gravidez que correu tão bem.
Durante 9 meses corri todas as especialidades do Hospital, nada foi deixado ao acaso. Por ser obesa à partida também teria de ser bem vigiada em termos de peso, quando a Carochinha nasceu quase de 41 semanas eu pesava mais quatro quilos do que quando engravidei pelo que penso ter sido uma boa paciente :)
Os diabetes nem entraram em cena e a única coisa que levantava mais preocupações era a hipertensão (mamãs ansiosas dá nisto) e a proteinúria. Foram uns quantos meses na sombra da pré-eclâmpsia que acabou por não ser problema também.
Ao longo destes meses e aliás como desde que o conheci há 12 anos atrás, tive um homem especial ao lado, um companheiro que nunca me deixou cair, que me apoiou e acompanhou em tudo, tudinho, cada seca e cada medo! Obrigada amor!
O parto induzido foi uma experiência menos boa e humanizada contrariamente a tudo o que me foi ensinado no hospital e ao que eles me habituaram. Estragou tudo, falhou exactamente onde não podia falhar, fez-me dizer "Filhos nunca mais", felizmente a sensação está a passar e a calma a instalar-se. Irei dedicar um post ao parto em si porque há muito, muito que falar!







domingo, 15 de novembro de 2015

A Carochinha vem a caminho e agora???

Estou grávida, e agora?? Quantas de vocês pensaram o mesmo? Vá lá confessem.
Eu pensei, de repente todas as minhas certezas caíram por terra, senti um medo avassalador pela saúde do meu bebé, pela nossa família, pelo meu filho R. que deixaria de ser o filho único.
Na minha cabeça surgiram mil questões:
- Será que o bebé está bem?
- Conseguirei aguentar 9 meses sem medicação? Substituição nem pensar, não consigo sequer pensar que lhe posso fazer mal.
- Será que o vou ter nos braços?
- Menino ou menina? Prefiro menino ou menina? Só sei ser mãe de menino e adoro, é uma ligação única.
- E sou tão maria-rapaz, como iria tratar de uma menina, vesti-la com os adereços todos se nem o sei fazer comigo?
- E a reacção do meu filho, será que vai sentir muito? Será que vai sofrer? Consigo dar-lhe tudo o que tinha planeado? Ai, eu não tenho emprego, e agora?
- Vivo num T2, se for menina como farei? Mudar de casa? Para já impossível!

Estes são alguns exemplos de tudo o que me surgiu na mente ao mesmo tempo que a alegria me dominava.

Agradeço o facto de ter uma família linda e cheia de amor e amigos, muitos deles recentes, que me encheram de mimo, partilharam a minha alegria e nunca nunca puseram a hipótese de eu não conhecer a Carochinha. Vocês fizeram a diferença, vocês foram a esperança quando eu tinha medo de a ter.
Obrigada!
E vocês, também se encheram de questões? Como correu? Alguma barriguda por aí a espreitar que esteja a sentir o mesmo?





sábado, 14 de novembro de 2015

O início: a Carochinha vem a caminho!

A Carochinha foi uma bebé muito ansiada mas, por diversos motivos, já não era esperada. Após anos a tentar sem sucesso e com a diferença de idades para o mano R. a acentuar-se, começava a ser uma ideia menos presente. Confesso que me conformei com ficar apenas com um filhote apesar de eu mesma ter odiado ser filha única.
A chegada de um bebé teria de ser bem planeada pois como sou doente bipolar, doença que abordaremos noutro post, teria de cessar a medicação, reforçar o acido fólico e ter muito juizinho antes de pensar em começar a tentar. Pois bem, fiz isso tudo antes, antes quando planeei, quando tentei e exasperei.
Em Janeiro, para minha surpresa, os enjoos e fraquezas que sentia e associava a uma gripe afinal revelaram ser um bebé. 
Fiz o teste a contragosto porque já me achava "imune" à gravidez. Fiz o teste quando uma colega perguntou "olha lá, não estares grávida?" após mais uma quebra de açucares ao final do dia. Nesse dia o teste deu negativo. Sorri e disse "Tás a ver??".
Dois dias depois, muitas dores no peito, mais dois dias "choques" ao fazer movimentos como levantar-me mais depressa - "Oi, que eu só senti isto quando estava grávida! Não pode ser. E era, fiz um teste....ia deitar fora quando a risquinha apareceu. "Nahhhhhhhh, isto caiu ao chão e deve ser por isso, a risquinha é tão clara!". Segundo teste, risquinha, "opáaaaa".



Nesse momento confesso que o que senti foi um misto de alegria por um desejo realizado mas muito muito medo! Medo por este bebé estar a tomar a minha medicação, por todos os efeitos que isso poderia ter nele, por o risco de problemas graves e aborto ser elevado. MEDO, enorme, GIGANTE!

A partir deste dia começou um acompanhamento intenso que se prolongou toda a gravidez no Hospital De Cascais. Falarei em breve da minha gravidez de risco e tudo o que isso implicou.
Para já ficam com este relato de como duas risquinhas vieram mudar a minha vida! 
Até breve!