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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Odiei as minhas mamas...


... odiei mesmo e até hoje ainda não tenho as pazes feitas com a amamentação.
Sim, mamas, o termo técnico é mesmo esse e nós somos mães por isso não temos cá medo de palavras ah ah
Mas antes que venham de armas empunhadas contra a minha opinião, cá vai a minha experiência.

As recomendações OMS e UNICEF dão-nos esta preciosa informação sobre amamentação e o que pode contribuir para o seu sucesso: 

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Desde 1991, a Organização Mundial de Saúde, em associação com a UNICEF, tem vindo a empreender um esforço mundial no sentido de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno.

As recomendações da Organização Mundial de Saúde relativas à amamentação são as seguintes:
·         As crianças devem fazer aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade. Ou seja, até essa idade, o bebé deve tomar apenas leite materno e não deve dar–se nenhum outro alimento complementar ou bebida.
·         A partir dos 6 meses de idade todas as crianças devem receber alimentos complementares (sopas, papas, etc.) e manter o aleitamento materno.
·         As crianças devem continuar a ser amamentadas, pelo menos, até completarem os 2 anos de idade.



Dez passos para o sucesso da amamentação,
segundo recomendações da OMS/UNICEF: 

1. Ter uma norma escrita sobre aleitamento materno, a qual deve ser rotineiramente transmitida a toda a equipa de cuidados de saúde.
2. Treinar toda a equipa de cuidados de saúde, capacitando-a para implementar esta norma.
3. Informar todas as grávidas atendidas sobre as vantagens e a pratica da amamentação. 
4. Ajudar as mães a iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto.
5. Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo que tenham de ser separadas de seus filhos.
6. Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno, a não ser que seja por indicação médica.
7. Praticar o alojamento conjunto - permitir que mães e os bebés permaneçam juntos 24 horas por dia. 
8. Encorajar a amamentação sob livre demanda (sempre que o bebé quiser).
9. Não dar bicos artificiais (tetinas) ou chupetas a crianças amamentadas.
10. Encorajar a criação de grupos de apoio à amamentação, para onde as mães devem ser encaminhadas por ocasião da alta hospitalar.                                                                  
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    Sei, li, estudei e decidi que desta vez é que ia conseguir amamentar pelo bem da minha filhota. Quando tive o Rafael os cuidados eram diferentes e a idade também, ora o menino não paráva de chorar, liguei para o hospital e mandaram comprar uma lata de Aptamil, nem questionei.
      Desta vez seria diferente, mas não foi....
      A Carochinha nasceu no Hospital de Cascais, amigos da amamentação mas pelos vistos pouco amigos das mães. 
      A bebé mamou bem e à terceira vez que o fez eu já tinha o peito desfeito em feridas. "Mas a pega era perfeita, estas mães são umas nabas"
      Continuámos assim até ser horrível sequer pensar que ela tinha fome, sangue, pus, dores e mais dores. Do outro lado a resposta era "Insista". Insisti, pedi os mamilos de silicone ao marido porque queria conseguir, levei nas orelhas como se fosse uma criança por utilizá-los e ainda ouvi " se os quiser esterilizar esqueça, não aprovamos"
      A coisa piorou, antibiótico e leite adaptado, 3 biberões, 3 marcas diferentes e frio, gelado , cólicas, imensas, gritos de dor. Massagens, festinhas, embalar ao colo, peito, tudo, só gritos. 
      Passadas 5 horas aparece uma tetina com gaze enfiada lá dentro para a menina chuchar, "sabe mãe, há bebés que precisam mesmo". 
      Eu tinha uma na mala, não usava para não me arriscar a ser colocada no canto com orelhas de burro.

      Durante este tempo, foram 3 dias de internamento com a menina, ninguém falou comigo sobre a amamentação, me ajudou, procurou técnicas ou deu atenção ao que me queixava até estar com a mastite. Senti-me sempre incompetente para a coisa.

      Vim para casa e continuou, mamadas de hora e meia e bebé a chorar, peso que não aumenta, dê mais isto, insista, faça o pino. Enfim, chegou a um ponto que não era prazer, não era bom, muito menos era saudável para qualquer uma das duas. Deixei de amamentar ao fim de 3/4 semanas e não me arrependo. Não era o que desejei mas revelou-se o melhor, para minha sanidade e o soninho dela.
      Assim mamãs que desistem, não são más mães, não são incompetentes, não querem pior os vossos filhos. Às vezes é mesmo o melhor por todos quando todo o apoio externo falha e a coisa não está a funcionar.
      E vão ouvir criticas, olhares de espanto e de pena, mas vocês sabem, sabem melhor que ninguém se os vossos bebés estão bem e felizes. Continuem o vosso caminho de amor pois, apesar de hoje em dia parecer, ter mamas não é um super-poder e não dar de mamar não é um super-falhanço.



                          



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A Carochinha vai nascer : o parto

Ao fim de quase 41 semanas eu estava desejosa de ver a minha menina e de me livrar de todos os incómodos da gravidez.
Como a piolha não se decidia, na consulta do hospital informaram-me que teria de ser induzida. Ficou combinado que regressaria ao fim de jantar para me internarem e iniciar a indução logo pela manhã.
Assim que saí informei solenemente ao meu marido que necessitava de um hamburguer daqueles daquela cadeia bemmmmm saudável! Como não se recusa nada a uma grávida à beira de um ataque de nervos, lá fomos.
Passei a tarde a preparar tudo, ver os últimos detalhes, repetir indicações ao marido sobre as necessidades do nosso filho mais velho (porque as mães tem aquela noção exagerada de que o mundo para sem elas) e a colar stickers no quartinho da bebé, e do mano, porque é partilhado.
Chegada a hora dirigi-me ao hospital, preenchi todos os questionários necessários e fui levada ao meu quartinho. Ótimas condições, digno de hotel. Nessa noite inseriram-me um catéter, deram-me indicações sobre o que viria no dia seguinte e pronto, dormir! Dormir o caneco, quem dorme sabendo que tudo vai mudar a seguir? Foi uma noite imensa!
Pela manhã bem cedo vieram ter comigo, dar indicações, tomei duche e iniciámos a indução, comprimido vaginal e esperar.
As contrações já se faziam sentir desde o momento do internamento na véspera, mas evolução nada. 
Passei o dia às voltinhas no quarto, não saí porque estava quase sempre presa ao CTG, o meu marido passou o tempo possível comigo, foi buscar o filho à escola, regressou, e às 20h partiu como era obrigado deixando-me em prantos porque sozinha tudo era mais difícil. Já tinha imensas contrações e dores mas nada de dilatação, não houve ajudinhas nem analgesias, só imensos toques, concursos de quem provocava o quê.
Cerca das 20:30 regressam, desta vez a obstetra, diz que se ela e o colega que me fez o toque anterior não conseguiam provocar, ninguém conseguia, fez novo todo extremamente doloroso, mandou colocar meio comprimido em vez de 1/4 e foi embora despedindo-se e dizendo para gozar a última noite de paz uma vez que estava muito atrasada e o bloco estava uma confusão.
Fiquei entregue às dores e ao sangramento até que entrou outro turno e uma enfermeira que me ouviu, fez novo toque e percebeu que estava a evoluir muito rápido, de 2 a 8 dedos de dilatação em 1 hora.
Disse que não podia dar-me nada ali mas ia insistir porque eu tinha de ir para o bloco. Ao fim de uns quantos telefonemas oiço-a gritar que ou arranjavam bloco ou o parto seria mesmo no quarto. Descemos a correr de cadeira de rodas e eu dizia que "queria desligar" e ia ficando apática, a enfermeira e auxiliar foram uns amores sempre a falar e fazer-me rir, a puxar por mim e manter-me deste lado enquanto procuravam onde me meter. 
Eu estava completamente aflita de dor, uma dor como nunca senti e também não tive anestesias no primeiro parto. Depois vim a saber que se devia ao bebé estar em posição posterior e a fazer pressão nas costas em vez de querer sair.
Gritei, gritei imenso, só gritar aliviava. 
Assim que entro no bloco a enfermeira especialista olha para mim e diz "Está a gritar porquê? Está a ser induzida desde manhã, havia de ser 3 dias como eu para ver". Pronto, começámos bem, continuei a gritar mas entrei em pânico, deixei de controlar os movimentos e de me concentrar no que diziam. Efetivamente tudo o que precisava naquele momento era um sermão.
Arranquei o catéter no meio do pânico e apesar de a anestesista e a obstetra terem sido chamadas não havia como me espetar uma agulha naquele momento.
O papá foi chamado pois aquela hora não podia lá estar, apesar disso a bebé nasceu em 10 minutinhos e ele já só chegou a tempo de cortar o cordão. Foram os piores 10 minutos da minha vida, não deu para nada, nem para episiotomia pelo que houve várias lacerações.
De todos os que amei naquele hospital, havia de encontrar uma besta no meu parto. Não foi nada do que imaginei, nem do que me "venderam" quando fui à visita à maternidade.
A Carolina nasceu linda linda às 1:55 e tudo me pareceu melhor! Por volta das 5 vieram vê-la e ao despi-la para lhe trocarem a fralda eu olho (não me podia levantar ainda) e vejo o pézinho completamente de lado. Perguntei " A minha menina tem um problema no pézinho?", respondem que sim mas não diziam nada porque queriam ver se havia algo em relatório ( ????!!!!!), estavam a defender-se em vez de falar comigo como um ser humano, uma mãe preocupada e assustada.
Chamaram uma fisioterapeuta que me explicou que se devia à posição que ela adquiriu no útero mas que tudo voltaria ao normal porque tinha mobilidade. Suspirei de alívio. A condição chama-se calcaneo valgus e é bastante comum.
Neste momento eu já só pensava em fugir daquele hospital com a minha filha!
Fiquei internada no bloco 12 horas no escuro e com enorme barulho porque não havia quartos de internamento disponíveis. Nem eu nem a minha filha tínhamos nada nosso e ninguém nos orientava ou respondia quando chamava.
Finalmente subi e tive um quarto só para mim. Ficámos internadas 3 dias porque a Carolina apresentou icterícia que entretanto regrediu sem tratamento (bebés à janela mães, bebés à janela!!) e no ultimo dia a minha tensão estava tão disparatada que já não me queriam deixar sair a mim.
Uma aventura, com altos e baixos mas um final feliz!
A minha bolachinha acabada de nascer : 


Carochinha : nasce um novo blog

Neste blog vou falar abertamente sobre esta nova fase da minha vida. 
Aos 33 anos, com um filho de 10 anos, fui novamente mãe há menos de 2 meses.
Uma nova aventura, uma nova viagem, novas certezas e novos medos.
Este será um espaço de partilha desta nova experiência de maternidade, do que aprendi com o primeiro filho e estou a aprender com a Carochinha C.
Vou partilhar dúvidas, pedir opiniões também por isso conto convosco!
Sintam-se à vontade, a casa é vossa (só não desarrumem que neste momento o tempo é escasso )




A nossa gravidez de risco

Como vos contei anteriormente a minha gravidez foi considerada de risco por ser doente bipolar e medicada à data da gravidez. 
Contra todas as recomendações larguei toda a medicação assim que a risquinha apareceu no teste. Não quis medicação de substituição pelo mesmo motivo: eu já estava ansiosa e com medo das sequelas no bebé, não podia sequer viver com a sensação de diariamente tomar algo que pudesse fazer mal à minha filhota.
E assim foi: nove meses muito vigiados, seguida de 15 em 15 dias no Hospital de Cascais onde o pessoal me tratou muito muito bem e ao mesmo tempo seguida no Centro de Saúde- USF da Natividade onde eu e a minha bebé encontrámos desde o início uma segunda família.
Fiz todos os exames do protocolo, sosseguei um pouco quando o rastreio bioquímico não apresentou indicadores preocupantes e tentei ver o lado positivo. Se consegui? Não.
De facto toda a ansiedade e consciência dos riscos que tinha desde o início tiveram um aspecto perverso: preparei-me tanto para perder o meu bebé que não ousei apegar-me a ele. Devido a isso quando chegou a fase mais calma e com mais certezas da gravidez eu continuava a pensar que algo iria correr mal, foi angustiante e tive medo de não me ligar à bebé quando nascesse. Mas mamãs que estejam a passar o mesmo: não se culpem. Quando a Carochinha nasceu fui logo inundada de amor por ela coisa que por exemplo me levou mais tempo na 1ª gravidez que correu tão bem.
Durante 9 meses corri todas as especialidades do Hospital, nada foi deixado ao acaso. Por ser obesa à partida também teria de ser bem vigiada em termos de peso, quando a Carochinha nasceu quase de 41 semanas eu pesava mais quatro quilos do que quando engravidei pelo que penso ter sido uma boa paciente :)
Os diabetes nem entraram em cena e a única coisa que levantava mais preocupações era a hipertensão (mamãs ansiosas dá nisto) e a proteinúria. Foram uns quantos meses na sombra da pré-eclâmpsia que acabou por não ser problema também.
Ao longo destes meses e aliás como desde que o conheci há 12 anos atrás, tive um homem especial ao lado, um companheiro que nunca me deixou cair, que me apoiou e acompanhou em tudo, tudinho, cada seca e cada medo! Obrigada amor!
O parto induzido foi uma experiência menos boa e humanizada contrariamente a tudo o que me foi ensinado no hospital e ao que eles me habituaram. Estragou tudo, falhou exactamente onde não podia falhar, fez-me dizer "Filhos nunca mais", felizmente a sensação está a passar e a calma a instalar-se. Irei dedicar um post ao parto em si porque há muito, muito que falar!