quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A nossa gravidez de risco

Como vos contei anteriormente a minha gravidez foi considerada de risco por ser doente bipolar e medicada à data da gravidez. 
Contra todas as recomendações larguei toda a medicação assim que a risquinha apareceu no teste. Não quis medicação de substituição pelo mesmo motivo: eu já estava ansiosa e com medo das sequelas no bebé, não podia sequer viver com a sensação de diariamente tomar algo que pudesse fazer mal à minha filhota.
E assim foi: nove meses muito vigiados, seguida de 15 em 15 dias no Hospital de Cascais onde o pessoal me tratou muito muito bem e ao mesmo tempo seguida no Centro de Saúde- USF da Natividade onde eu e a minha bebé encontrámos desde o início uma segunda família.
Fiz todos os exames do protocolo, sosseguei um pouco quando o rastreio bioquímico não apresentou indicadores preocupantes e tentei ver o lado positivo. Se consegui? Não.
De facto toda a ansiedade e consciência dos riscos que tinha desde o início tiveram um aspecto perverso: preparei-me tanto para perder o meu bebé que não ousei apegar-me a ele. Devido a isso quando chegou a fase mais calma e com mais certezas da gravidez eu continuava a pensar que algo iria correr mal, foi angustiante e tive medo de não me ligar à bebé quando nascesse. Mas mamãs que estejam a passar o mesmo: não se culpem. Quando a Carochinha nasceu fui logo inundada de amor por ela coisa que por exemplo me levou mais tempo na 1ª gravidez que correu tão bem.
Durante 9 meses corri todas as especialidades do Hospital, nada foi deixado ao acaso. Por ser obesa à partida também teria de ser bem vigiada em termos de peso, quando a Carochinha nasceu quase de 41 semanas eu pesava mais quatro quilos do que quando engravidei pelo que penso ter sido uma boa paciente :)
Os diabetes nem entraram em cena e a única coisa que levantava mais preocupações era a hipertensão (mamãs ansiosas dá nisto) e a proteinúria. Foram uns quantos meses na sombra da pré-eclâmpsia que acabou por não ser problema também.
Ao longo destes meses e aliás como desde que o conheci há 12 anos atrás, tive um homem especial ao lado, um companheiro que nunca me deixou cair, que me apoiou e acompanhou em tudo, tudinho, cada seca e cada medo! Obrigada amor!
O parto induzido foi uma experiência menos boa e humanizada contrariamente a tudo o que me foi ensinado no hospital e ao que eles me habituaram. Estragou tudo, falhou exactamente onde não podia falhar, fez-me dizer "Filhos nunca mais", felizmente a sensação está a passar e a calma a instalar-se. Irei dedicar um post ao parto em si porque há muito, muito que falar!







Sem comentários:

Enviar um comentário